A evidência científica demonstra que o exercício físico regular e a alimentação equilibrada desempenham um papel crucial na prevenção e tratamento de perturbações mentais, nomeadamente depressão, ansiedade e stress.
Ambos influenciam positivamente a neuroplasticidade, a produção de neurotransmissores (serotonina, dopamina, endorfinas) e o funcionamento cognitivo.
A atividade física deve ser encarada como componente de promoção de saúde mental.
Evidências indicam que:
O exercício aeróbico regular melhora o humor e reduz sintomas de ansiedade.
O treino de resistência e o movimento consciente (yoga, pilates, caminhada) reforçam a autorregulação emocional.
A prática consistente aumenta a perceção de autoeficácia e reduz a ruminação cognitiva.
O/a psicólogo/a pode integrar recomendações de atividade física adaptada no plano terapêutico, em articulação com profissionais de saúde e do desporto.
O padrão alimentar influencia diretamente a função cerebral e a saúde emocional. Dietas ricas em frutas, vegetais, cereais integrais, proteína magra e ácidos gordos ómega-3 estão associadas a menor prevalência de depressão e ansiedade.
Por outro lado, o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, açúcares refinados e gorduras saturadas relaciona-se com maior disfunção emocional.
A promoção da saúde mental requer uma abordagem integrada e multidisciplinar, centrada na pessoa e nos seus contextos.
O/a psicólogo/a, em articulação com nutricionistas, médicos e fisiologistas do exercício, desempenha um papel fundamental na mudança de estilos de vida, reforçando a autonomia, consistência e motivação do/a cliente/paciente.
Ordem dos Psicólogos Portugueses (2023). Saúde Mental e Estilos de Vida Saudáveis.
World Health Organization (2022). Physical activity and mental health: Evidence brief.
Jacka, F. N. et al. (2017). A randomised controlled trial of dietary improvement for adults with major depression (SMILES trial). BMC Medicine, 15(23).