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ENQUADRAMENTO

A violência doméstica constitui uma violação dos direitos humanos e um problema de saúde pública, afetando a integridade física, psicológica e social das vítimas.
Caracteriza-se pela
 repetição de comportamentos de controlo, intimidação, agressão ou coação no contexto familiar ou relacional, com impacto duradouro na saúde mental.

FORMAS DE VIOLÊNCIA

As manifestações incluem violência física, psicológica, sexual, económica e social, frequentemente interligadas.
As vítimas podem apresentar
 sintomas de ansiedade, depressão, stress pós-traumático, disfunções somáticas e alterações no funcionamento cognitivo e relacional.

O PAPEL DO/A PSICÓLOGO/A

O/a psicólogo/a tem uma função essencial na deteção precoce, avaliação de risco e intervenção psicológica especializada.
As principais áreas de atuação incluem:

  • Avaliação clínica e psicodiagnóstica, identificando sinais de trauma e dependência emocional.

  • Intervenção terapêutica centrada na segurança e no empowerment da vítima, reforçando a autonomia e a tomada de decisão.

  • Articulação interinstitucional com forças de segurança, serviços de saúde e estruturas de apoio social.

  • Acompanhamento de agressores no âmbito de programas de reeducação comportamental, quando adequado.

PRINCÍPIOS ÉTICOS E LEGAIS

A atuação do/a psicólogo/a deve respeitar os princípios da confidencialidade, consentimento informado e salvaguarda do superior interesse da vítima, conforme o Código Deontológico da OPP.
Deve ainda assegurar o cumprimento da
 Lei n.º 112/2009, que estabelece o regime jurídico aplicável à prevenção da violência doméstica e à proteção das vítimas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • Ordem dos Psicólogos Portugueses (2021). Intervenção Psicológica em Situações de Violência Doméstica.

  • Direção-Geral da Saúde (2020). Norma n.º 003/2020 – Abordagem de situações de violência interpessoal.

  • European Union Agency for Fundamental Rights (2021). Violence against women: An EU-wide survey.


3. EXERCÍCIO FÍSICO, NUTRIÇÃO E SAÚDE MENTAL: UMA ABORDAGEM INTEGRADA DA PROMOÇÃO DO BEM-ESTAR

FUNDAMENTOS CIENTÍFICOS

A evidência científica demonstra que o exercício físico regular e a alimentação equilibrada desempenham um papel crucial na prevenção e tratamento de perturbações mentais, nomeadamente depressão, ansiedade e stress.
Ambos influenciam positivamente a
 neuroplasticidade, a produção de neurotransmissores (serotonina, dopamina, endorfinas) e o funcionamento cognitivo.

EXERCÍCIO FÍSICO COMO INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA

A atividade física deve ser encarada como componente de promoção de saúde mental.
Evidências indicam que:

  • O exercício aeróbico regular melhora o humor e reduz sintomas de ansiedade.

  • O treino de resistência e o movimento consciente (yoga, pilates, caminhada) reforçam a autorregulação emocional.

  • A prática consistente aumenta a perceção de autoeficácia e reduz a ruminação cognitiva.

O/a psicólogo/a pode integrar recomendações de atividade física adaptada no plano terapêutico, em articulação com profissionais de saúde e do desporto.

NUTRIÇÃO E SAÚDE PSICOLÓGICA

O padrão alimentar influencia diretamente a função cerebral e a saúde emocional. Dietas ricas em frutas, vegetais, cereais integrais, proteína magra e ácidos gordos ómega-3 estão associadas a menor prevalência de depressão e ansiedade.
Por outro lado, o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, açúcares refinados e gorduras saturadas relaciona-se com maior disfunção emocional.

ABORDAGEM MULTIDISCIPLINAR

A promoção da saúde mental requer uma abordagem integrada e multidisciplinar, centrada na pessoa e nos seus contextos.
O/a psicólogo/a, em articulação com nutricionistas, médicos e fisiologistas do exercício, desempenha um papel fundamental na
 mudança de estilos de vida, reforçando a autonomia, consistência e motivação do/a cliente/paciente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • Ordem dos Psicólogos Portugueses (2023). Saúde Mental e Estilos de Vida Saudáveis.

  • World Health Organization (2022). Physical activity and mental health: Evidence brief.

  • Jacka, F. N. et al. (2017). A randomised controlled trial of dietary improvement for adults with major depression (SMILES trial). BMC Medicine, 15(23).